domingo, 19 de abril de 2015

RELATO DE UMA MULHER

Uma amiga contou-me isso. Ela queria dar seu depoimento publicamente e pediu minha ajuda.
Disse a ela para não assinar. Afinal, não importa, pois a história dela, infelizmente, é parecida com a de muitas mulheres.  Considerei também o fato de que ela passaria o resto de sua vida estigmatizada, já que nossa sociedade complacente deixa o agressor tranquilamente sentado aos domingos para assistir seu futebol e tomar uma cervejinha. Mas, uma mulher de coragem, ninguém perdoa.
Assim, apoiei totalmente a iniciativa.

“Não espero que me entendam. Não espero que outra mulher me entenda, menos ainda um homem. Talvez a condição feminina traga mais sensibilidade a minhas palavras, mas, que importa? Se falasse para ser ouvida, não estaria em silêncio.
O que suportei ao lado do meu ex-namorado durante 5 anos, não agüento nem mais 5 minutos. E o que vi meu pai fazer com minha mãe durante o casamento e até depois da separação, nem 2 minutos.
Meu ex é um exemplar de ‘super-machão’ que deveria estar extinto. O que perdoei dele não deve ser perdoado de homem algum. Não da forma como fiz. A grandeza do coração de uma mulher não é admirada. É confundida com burrice e tratada com humilhação.
Nenhum homem deve ser perdoado por forçar uma mulher a fazer sexo. Nem sei começar isso, porque nunca contei a ninguém... Sou jovem e estou muito cansada. Mas, o que conta não é o calendário, é a vida vivida.
Eu estava no início dos meus vinte anos, com vários desencontros acumulados. O que eu não sabia é que parte desses desencontros era de minha própria responsabilidade. Eu mesma, inconscientemente boicotando qualquer chance real de relacionamento com um homem. Tinha muito medo (mal sabia que o medo 99% traz consigo aquilo que a gente mais teme...). Se eu tivesse que viver algo como meus pais experimentaram... Uma relação tão desigual, tão violenta do ponto de vista moral, psíquico, material, simbólico e até físico (sim, minha mãe apanhou)... Realmente é uma dose que não deve ser tomada, menos ainda repetida. Então meu inconsciente fugia, fugia, fugia... E o consciente buscava, buscava, buscava... Era uma guerra. Uma guerra travada por anos entre a luz e a sombra que me levou a exaustão.  Neste ponto decidi: ‘Ok. Vou namorar o primeiro que aparecer. Vou gostar de quem gosta de mim.’ Aí ele apareceu. E eu estava mesmo esgotada - e curiosa! Kkkk. É engraçado, mas permaneci com a curiosidade normal de adolescente sobre como seria experimentar uma relação sexual.  Adiei muito esse momento ‘esperando a pessoa certa’ até que fiquei muito brava comigo mesma por essa história toda de romantismo...
Uma colega de quem eu era muito próxima àquela época nos convidou para irmos ao sítio do pai de seu namorado. Ficamos em um quarto sozinhos pela primeira vez. Eu tinha dito a ele várias vezes para tomar um banho, trocar de roupa. Porém, ele não percebeu que, pela primeira vez, ele estava viajando na companhia de uma mulher e que não podia se comportar como de costume na turma de amigos.
O quarto tinha duas camas. Como eu disse, estava curiosa e fui eu quem teve a ideia infeliz de transar. Conversei com ele conforme a ginecologista orientou. Aí ele topou. Porém, não deixei que acendesse a luz. Isso o deixou confuso. Ele quis acender de novo, eu impedi novamente. Por fim, eu disse que não queria mais. Ele saiu do quarto. Quando voltou eu estava vestida. Ele insistiu, quis tentar de novo.  A confusão começou outra vez e eu disse não novamente. Apesar disso, ele continuou e me puxou para a outra cama de qualquer jeito.
Passei 3 meses com um hematoma enorme na perna esquerda, cuja marca final demorou ainda mais para sair. Fora as marcas menores.
No dia seguinte estava decidida a terminar. Contudo, ele não permitiu. Disse que gostava muito de mim, que queria mais uma chance... O mundo em todas as línguas conhece esse discurso. Nesse dia entramos num pequeno lago para passear e eu subi desajeitadamente na balsa. Até achei que os machucados podiam ser por isso... No entanto, assim que me sentei na embarcação percebi que o mau jeito foi do outro lado do meu corpo, bem mais embaixo. E não provocou marcas, somente dor. Percebi envergonhada que andara boa distância com aquela marca exposta.
Três meses depois, comentei que a marca sumiu. E contei que não tinha sido a balsa. Tinha sido ele. Ele pediu desculpas! Pediu desculpas por me machucar ou também por todo ‘resto’? Nunca soube... Mas, eu devia ter dito: ‘Seu filho da puta você me e estuprou e me machucou na minha primeira relação sexual! Vá pro inferno e nunca mais fale comigo!’ Incrível. Não disse.  Não o impedi de me tratar como um mero pedaço de carne tantas outras vezes... E depois como mera prostituta que se ignora e joga na sarjeta. Foi assim no último ano de namoro, absurdamente após falarmos em casamento. No início pensava que era assim mesmo, não podia ser melhor, ou que eu não merecia nada melhor... No final, ‘acordei’: É melhor ficar realmente sozinha do que achar que se pode contar com uma pessoa que te abandona quando mais precisa.  Uma mulher não pode aceitar tudo a pretexto de ‘não ficar sozinha’ – isso não é estar verdadeiramente acompanhada, é uma ilusão.  Como pude fazer isso comigo?  Uma pessoa não é capaz de ser amada e respeitada se ela não fizer isso a si mesma, em primeiro lugar.
Depois que terminei essa coisa que algum dia foi grande paixão... Vários homens já se insinuaram ou se aproximaram de mim querendo apenas sexo. Como você acha que me sinto quando um homem, especialmente os que namoram, são noivos ou até casados se aproximam interessados em fazer sexo comigo? Lisonjeada, envaidecida? Não. Sinto-me uma coisa, um objeto. Um lixo. Porque não sou considerada uma pessoa, por não haver nenhum dentre quaisquer deles que queira conhecer essa pessoa, seus valores, ideais, sonhos, opiniões, hábitos, conflitos... Nenhum deles quer estar comigo além da cama, ser meu companheiro. Portanto, é assim que tenho me sentido em relação aos homens ultimamente: um objeto de cobiça bem adornado.  Vou lhes poupar de dizer o que penso desses caras (bem, só um pouquinho... Quero que todos se ***, no mau sentido).
Entretanto, não espero que você entenda. Só quero e espero que isso acabe e possa substituir más por boas lembranças, em breve.

Desejo que os homens que lerem esse relato não repitam esses atos, nunca, jamais, tratem uma mulher dessa maneira, principalmente se ela estiver vulnerável. E, se puder, impeça seus filhos e amigos de agirem desse modo com suas palavras e seu exemplo.
 
A sociedade e machista porque homens e mulheres pensam e agem assim. 
Convivemos com atos de violencia fisica e simbólica legitimados pelas normas sociais. No entanto, "barbaro e, antes de tudo, aquele que cre na barbarie" (Claude Levi-Strauss). Ainda que haja leis e haja crimes perante o Estado, pouco ou nada valerao se nao houver sanção da consciencia.

Não é possível guardar estrelas em chumbo."
(Anônimo)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Frufrusis

Hoje assisti um episódio de "Stargate Atlantis". Irrita-me como eles são capazes de passar por um portal que os desmaterializa e materializa novamente em outros planetas e todos esses planetas são parecidos com a Terra, o ar e respirável, os habitantes são humanos como nós e, pasmem, todos falam a mesma língua! Inglês, é claro!!! Kkkkk
Mas, considerando ISSO TUDO, o episódio de hoje mostrou um planeta que desenvolvia um soro contra os únicos extraterrestres esquisitos da série, o super maus e super avançados (intelectualmente, tecnologicamente) Espectros, canibais do espaço que saem por aí "colhendo mundos". 
Esse pessoal estava desenvolvendo um soro que tornaria a carne humana imune a comilança dos Espectros. E os humanos recém-chegados à Atlantis (os colonizadores -derrotados pelos Espectros- desses mundos todos, inclusive a Terra), resolveram ajudar! 
O soro não deu muito certo, considerando que eles, há 150 anos pesquisando, não quiseram terminar os testes. Ai a população aceitou o risco de morrer com o troco (50% de chance) para que não fossem nunca mais comidos e ainda conseguissem matar os Espectros envenenados com o tal soro. Ou seja, do extermínio, passaram a guerra - e mais, tranquilamente, com 96% dos votos. Alguém ai ainda acha que as decisões da maioria são as melhores possíveis, as mais sabias, corretas, inteligentes? 
Conforme a velha democracia, é isso que temos, mas minorias existem justamente para que não aconteça a "ditadura da maioria" ou para que ainda possa ser ouvida a  "voz do bom senso" trazida por aquela incomoda opinião contrária à sua. 

Tirando isso, alguém ai já assistiu o filme "Fuga das Galinhas"? 
Senti culpa e tive certeza de que o criador e vegetariano! Afinal, são as galinhas lutando contra a opressão dos humanos, que lhes tiram os ovos e lhes comem a carne. Ora, não parece com os Espectros comendo gente? 

E afinal,  porque os maus são ET's, são diferentes, super feiosos, mas também superpoderosos (e também falam inglês)?

Por que diferente não é bom? 
Até a personalidade e industrializada nessa *** de sociedade?!

A Globo também foi homenageada esta semana como ícone da democracia no Congresso Nacional. Ai apareceu uma galera protestando contra, mas foram expulsos de lá "por comportamento inconveniente". MUITO DEMOCRÁTICO! Inclusive, eles puseram um pequeno cartaz dizendo assim "A Globo apoiou a ditadura".

Acho que muita gente ta sem saber o significado desta palavra... Democracia. E ainda por cima e mulher. Coitada. 

Ah! Querem saber se vou continuar assistindo esse primor de série? Oh! Sim! As vezes é bom não pensar em nada...