segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Racismo e Etnocentrismo

“Os gregos, é preciso dizê-lo, são em geral, menos mal talhados que os romanos. As figuras de Temístocles e de Milcíades, entre outros, podem comparar-se aos mais belos tipos modernos. Mas Alcibíades, o avô cujas façanhas galantes, por si sós, enchem a crônica de Atenas, tinha, como Messalina, muito pouco do físico que corresponderia às suas atividades. Ao ver-lhe os traços solenes e a fronte grave, quem quer que seja, o tomaria antes por um jurisconsulto agarrado a um texto de lei, que se fazia exilar em Esparta, unicamente para enganar o pobre rei Ágis e, depois, vangloriar-se de ter sido amante de uma rainha.
Sem embargo da pequena vantagem, que quanto a esse ponto, se possa conceder aos gregos sobre os romanos, quem se der ao trabalho de comparar esses velhos tipos com os do nosso tempo, reconhecerá sem esforço que nesse sentido, como em todos os outros, houve progresso. Apenas, convém não esquecer, nessa comparação, que aqui se trata de classes privilegiadas, sempre mais belas do que as outras e que, por conseguinte, os tipos modernos que se hajam de contrapor aos antigos deverão ser escolhidos nos salões e não nas pocilgas. É que a pobreza, ah! Em todos os tempos e sob todos os aspectos, jamais foi bela e não o é, precisamente, para nos envergonhar e forçar-nos a um dia nos libertarmos dela.”




Introdução
Antes de elucidar separadamente os conceitos, estabeleceremos desde já a relação existente entre eles, através do fenômeno de exclusão/inclusão. Segundo Claude Lévi-Strauss:
“Operam simultaneamente, nas sociedades humanas, forças que atuam em direções opostas, umas tendendo para a manutenção e mesmo para a acentuação dos particularismos, outras agindo no sentido da convergência e da afinidade.” (Raça e História, p.56)
Ou seja, aos movimentos de exclusão, correspondem movimentos de inclusão que produzem a diversidade cultural. Este é um fenômeno antropológico geral conseqüente a consolidação do humano como ser criativo, com um aparato físico extremamente frágil, mas um cérebro potente que lhe permite(iu) adaptar-se a praticamente todos os ambientes da Terra. O que gera preconceitos, racismos e etnocentrismos é a hierarquização das diferenças, a transformação da superioridade social em superioridade humana.
Mas este mesmo e referido autor, nos mostra que o progresso social não é linear. Acrescentamos que nem o individual. Evoluímos mais em certos aspectos que em outros, o mesmo ocorrendo com as culturas, fazendo com que nenhuma seja melhor que a outra em tudo, ou seja, totalmente ou absolutamente superior sobre uma, várias, ou as demais. Logo, as comparações são plausíveis, porém, deve-se ter o cuidado da relatividade ao fazê-las.
A exclusão como exercício do poder e da dominação aparece bem delineado no Ensaio teórico sobre as relações estabelecidos-outsiders de Norbert Elias, sociólogo alemão. Este autor demonstra que o fator econômico é apenas um dos que podem gerar essa desigualdade através do exemplo de uma região operária inglesa que pesquisou, na década de 60, chamada Winston Parva. Nesta comunidade havia um grupo de antigos residentes e um grupo de recém chegados. Ambos os grupos eram formados por cidadãos ingleses, com aparência física anglo saxônica, condições financeiras e de moradia pouco variáveis entre si. Contudo, o grupo antigo era o de estabelecidos, o dos recém chegados o grupo de outsiders, que quer dizer “os de fora”. Não havia integração ou laços de amizade entre um grupo e outro. Os recém chegados, residentes na região B eram considerados pessoas de má índole e conduta pelos da região A, que se sentiam humanamente superiores em relação à eles.

Preconceito- conceito antecipado e sem fundamento razoável. Opinião formada sem reflexão; superstição; prejuízo. Generalização apressada. Ato de estigmatizar o(s) Outro(s.

Racismo- Teoria da pureza das raças ou da separação das mesmas, usada para fins políticos; segregacionismo.

Dicionário Globo, 1991

Etnocentrismo- “Conforme a antropologia deixou bem claro, as culturas diferem muito entre si, mas há também grande variação no grau em que pessoas estão conscientes desse fato simples ou querem aceitá-lo. O etnocentrismo pode ser considerado a contrapartida sociológica do fenômeno psicológico do egocentrismo. (...) Quando os indivíduos que vivem em sociedades industriais supõem que todo mundo sente seu apetite por bens de consumo e instituições políticas democráticas de estilo ocidental, e que os que preferem outras coisas são, por isso mesmo, ‘primitivos’ (...).
Em um sentido importante, o etnocentrismo não é um problema. Trata-se de uma conseqüência inerente ao fato de pessoas viverem sob a influência de qualquer dada cultura e da realidade socialmente construída que a acompanha. (...) todos os sistemas sociais promovem até certo ponto uma opinião de si mesmos e do mundo em volta. (...) Tal como sua contrapartida psicológica, o etnocentrismo torna-se um problema na medida em que distorce a maneira de ver outras culturas, sobretudo quando usado ideologicamente como base para opressão social.”

Dicionário de sociologia,
Allan G. Johnson
Exclusão/Inclusão

“Não há diferença entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, é rico para com todos que o invocam” Ro 10.12
“Meus irmãos, tenhais fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, sem fazer acepção de pessoas. Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anéis de ouro nos dedos, com roupa luxuosa e entrar algum pobre com roupa velha e suja, e tratardes com atenção especial o que está vestido luxuosamente e lhe disserdes: tu assenta-te aqui no lugar de honra; e disserdes ao pobre: tu, fica ali em pé ou assenta-te no chão, onde coloco meus pés...”
Tg 2.1-3

Preconceito

“Reconciliai-vos o mais depressa, com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade, que não saireis de lá enquanto não houverdes pago até o último ceitil.”
Mt 5.25,26

“(...)Quem dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra.”
Jo 8.7
“Se pois, credes num futuro qualquer, não admitireis, sem dúvida, que ele seja o mesmo para todos, pois, de outro modo, onde estaria a utilidade do bem? Por que se reprimir, não satisfazer todas as suas paixões, todos os seus desejos, mesmo à custa de outros, uma vez que não teria conseqüência?”
Livro dos Espíritos, Cap.V
Racismo

“(...) nada, no estado atual da ciência, permite afirmar a superioridade ou a inferioridade intelectual de uma raça em relação à outra (...)” P.53
Raça e história,
Claude Lévi-Strauss
Etnocentrismo

“(...)com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido, hão de vos medir.”
Mt 7.2

“Em oposição aos cidadãos do mundo sagrado, que haviam criado símbolos que lhes permitissem compreender a realidade como um drama e visualizar seu lugar dentro de sua trama, à nova classe interessavam atividades como produzir, comercializar, racionalizar o trabalho, viajar para descobrir novos mercados, obter lucros, criar riquezas. E, se os primeiros se definiam em termos das marcas divinas que possuíam por nascimento, os últimos afirmavam: ‘Por nascimento nada somos. Nós nos fizemos. Somos o que produzimos.’ Assim contrastava a sacralidade inútil dos que ocupavam lugares privilegiados da sociedade medieval com a utilidade prática daqueles que, sem marcas de nascimento, eram entretanto capazes de alterar a face do mundo por meio do seu trabalho. (...) Aquilo que não é útil, deve perecer.” P.45
(...) No “universo simbólico instaurado pela burguesia. Seu utilitarismo só conhece o lucro como padrão para a avaliação das coisas. Até mesmo as pessoas perdem seu valor religioso. No mundo medieval, por mais desvalorizadas que fossem, seu valor era algo absoluto, pois lhes era conferido pelo próprio Deus. Agora alguém vale quanto ganha, enquanto ganha.” P.47
O que é religião,
Rubem Alves
Conclusão

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.”
Jo 13.34

“Todas as coisas são permitidas, mas nem todas convêm. Todas as coisas são permitidas, mas nem todas constróem.”
1Co 10.23
“Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles, pois esta é a Leis e os Profetas.”
Mt 7.12
Liberdade é amar pelo amor e obter humildade através da consciência do alcance das próprias capacidades, atingindo autonomia.
Fazer o bem não pela coerção do medo de sofrer, mas principalmente pela responsabilidade que se tem sobre os próprios atos.
O respeito é deixar ser, pois condenamos mais pelas formas que pelos conteúdos e, caso busquemos unirmo-nos aos que se diferenciam de nós, que seja pelo convencimento e pelo exemplo, não pela força ou pela estigmatização e subjugação de sua cultura e seus valores. Para isso, não basta ensinar, é preciso estar disposto a também: aprender.

Sobre o estudo Preconceito, racismo e etnocentrismo
O “X” da questão

A primeira motivação esta carta resposta é fruto de uma necessidade consciencial. A postura antropológica tomada de antemão exigiu dos ouvintes da palestra e agora dos leitores, um esforço basilar que apela para o aspecto científico da doutrina: estranhar o familiar e familiarizar-se com o estranho. A postura antropológica é desafiadora e muitas vezes polêmica.
Para empreendê-la é fundamental livrarmo-nos do egocentrismo social representado pelo etnocentrismo colocando em risco nossas próprias categorias. Isto não significa abandonar nossas crenças, inclusive no espiritismo, mas realizar o duplo movimento de ir ao diferente, àquilo que constitui o Outro e voltar ao nós, do grupo, dos comportamentos e dos princípios que conhecemos e dentro dos quais vivemos. Sem isso a antropologia perde seu sentido –proporcionar o conhecimento de nós mesmos através da diversidade das culturas. E, para não fugir aos propósitos da palestra e às nossas demandas morais, respondo que a dominação faz parte da natureza humana. Quem efetuou essa pergunta tocou o “X” da questão, já que obrigou-me a pensar na conseqüência filosófico-espiritual de tal fenômeno social. Entretanto, isso tem a ver com a diferença entre ciências humanas e ciências naturais. A natureza humana não é inexorável. Daí podermos estabelecer regularidades sociais, não leis sobre o funcionamento da sociedade. Da mesma forma, a guerra é uma condição humana mas isso não quer dizer que sempre será. Existem preceitos antropológicos universais como o parentesco, a religião ou a educação, em seu sentido amplo. Mas para progredir, não basta a universalidade.
O perdão entra nessa discussão a princípio, como intruso. Pensando em sua dimensão reconciliadora, imaginei-me primeiramente voltando às boas com todos aqueles com quem tive desentendimentos nos últimos tempos. O perdão revela a ambigüidade da caridade: diz implicitamente que o bem é maravilhoso, mas se você não o fizer, coitadinho, porque lá vem chumbo da Lei de Causa e Efeito (como não fazer algo que é Bom?)... Interpreto o perdão como dádiva que oscila entre a liberdade e a obrigação, como diria Marcel Mauss. É interessante perdoar, porque nos alivia a culpa, mas não interessa a mim, simultaneamente, pois não sou eu quem recebe o perdão. Contudo, notem que a verdadeira libertação provavelmente não passa nem por um motivo, nem por outro –por medo do sofrimento ou por favor a alguém. No primeiro, agimos sob coação externa, em outro, agimos tolerantemente. Em um somos levados por uma vontade que não é nem minha, nem sua, é de Deus. Em outro, somos levados, conscientemente ou não pela própria convicção de que o outro está errado (a minha verdade é A VERDADE, acima de todas as outras, o que resulta em racismo, etnocentrismo, preconceito e dominação autoritária). Toleramos aquilo que é mas não deve nem tem o direito de ser. E a diversidade das culturas e dos caracteres revela que não existe um único padrão de moral e de conduta e que o Outro, na condição de vizinho, deve ser mais que tolerado, deve ser respeitado e aceito para que o princípio de horizontalidade/igualdade/aproximação (filhos de pais ou culturas distintas não são próximos, se tornam próximos, logo, a irmandade divina é obra por fazer) da caridade seja atendido. Perdão não é mais coerção, nem concessão, é reciprocidade. Esta é a ligação fundamental, no meu entender, entre preconceito, racismo, etnocentrismo e perdão: não a tolerância (pretensiosa) de deixar os porcos continuarem com suas porcarias, mas de garantir ao Outro que não sou eu e é portanto, diferente, sua classificação humana, espiritual, dotada de livre-arbítrio, inteligência, potenciais, capacidades e lições de vida provenientes de sua experiência singular e contextualizada.
Traduzindo, atitude de humildade: abdicar do medo de sofrer e não se deixar escravizar pelo que é socialmente construído, não natural, mas naturalizado –relativizando as posições de inferioridade e superioridade partindo da coexistência do bem e do mal em todos os seres, compreendendo que o progresso é múltiplo, nativo, estrangeiro, bizarro, contíguo, e nos inclui a todos na sociedade e no aprendizado, no alcance incessante de perfeições relativas (absoluto, só Deus). E a cada um cabe um encontro com o mistério da divindade.
Fernanda Flávia
18/05/2004

Seminário Acolher e Semear

Seminário Acolher e Semear
Levando o evangelho às crianças de periferia
Grupo fraterno irmão Eustáquio
Fernanda Flávia e Michelle Freitas
02/05/2004
Uma questão social
Síntese

Inclusão / exclusão
A identidade (aquilo que se é) é marcada em relação à diferença (aquilo que o outro é), por isso implica processos de inclusão / exclusão. Tal fenômeno constitui relações de poder entre grupos de pessoas, envolvendo diversos fatores, como raça, classe social, religião e condição financeira, baseando-se numa suposta superioridade humana de uma identidade sobre a outra.
Desigualdade X Diferença
As palavras não são sinônimas. A desigualdade refere-se ao fenômeno social da distribuição de recursos na sociedade. Diz-se que o mercado reproduz as desigualdades existentes na esfera da produção. A desigualdade social é por um lado, conseqüência das diferenças entre os indivíduos, do esforço que fazem pela própria ascensão social (mobilidade) ou não e em parte conseqüência do que chamamos injustiças, devido a existência de parcelas da população que não são efetivamente contempladas por direitos que lhes pertencem por lei.
Metafísica da questão social
A autora Agnes Heller, revela-nos que a modernidade é uma “máquina” de questões sociais. E que o que hoje o que consideramos como problemas, não considerávamos antes. Por exemplo, a mortalidade infantil não era uma questão social do século XIX. À medida em que se desenvolve e surgem descobertas, a sociedade se vê diante de dilemas a resolver, pois aparecem situações novas, que as leis e os valores consolidados não são capazes de resolver. Assim, não há uma universalidade quanto o que é tido por justo ou injusto nem é possível pensar numa sociedade que um dia possua todos os seus problemas resolvidos –o que, cá para nós, seria muito chato e contrário à lei de progresso- pois novas questões impõem obstáculos à ação humana.
“Não há diferença entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, é rico para com todos que o invocam” Ro 10.12
“Meus irmãos, tenhais fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, sem fazer acepção de pessoas. Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anéis de ouro nos dedos, com roupa luxuosa e entrar algum pobre com roupa velha e suja, e tratardes com atenção especial o que está vestido luxuosamente e lhe disserdes: tu assenta-te aqui no lugar de honra; e disserdes ao pobre: tu, fica ali em pé ou assenta-te no chão, onde coloco meus pés...” Tg 2.1-3
Igualdade relativa
Se concordamos que não é possível alcançar a igualdade absoluta entre as pessoas há que se pensar me igualdade relativa. Como duas aldeias X e Y da mesma tribo que são inimigas entre si. A questão é que X e Y são inimigas de W e por ela estão ameaçadas. Então X e Y unem-se e lutam contra W. Depois voltam à rivalidade habitual. A igualdade relativa, na esfera representativa das instituições políticas especializadas, significa união em busca da realização de uma causa comum, o que não suprime as diferenças e divergências que possam existir entre aqueles que estão unidos dadas por outros aspectos de suas vidas.
Exercer este princípio não é uma tarefa fácil e apresenta-se como uma Nova Questão social: conciliar direitos abstratos, atribuídos a todos os cidadãos com base em uma concepção de ser humano e direitos específicos e concretos, de grupos sociais, em suas distinções socioculturais em relação aos demais.
Papel social do espiritismo
Ainda não encontramos nenhuma pesquisa sociológica sobre a inserção do espiritismo num contexto social mais amplo, contudo, percebemos que existe no movimento uma tradição filantrópica embasada pela máxima doutrinária: “Fora da Caridade não há salvação”. Logo, há um enorme potencial de intervenção no que observamos como injustiças sociais.
Definição ampla de poder
Existem várias concepções de pode, dentre elas a capacidade de conduzir um grupo de pessoas a agir e pensar do modo como desejamos –poder de persuasão- que pode vir de uma autoridade conferida por esse mesmo grupo ou pelo fenômeno do carisma. Há também a idéia de que poder é o monopólio estatal da força física. Ambas possuem ao fundo uma concepção coercitiva de poder. Podemos pensar, sem absurdo algum, que toda relação social é uma relação de poder e que há outras formas de poder (como o moral) que não se conduzem necessariamente pelo domínio estável de uns sobre outros e que sejam, ao invés de poder sobre, poder de –uma noção cooperativa que demonstra uma capacidade coletiva de agir e alcançar objetivos em conjunto, como este seminário.
Reciprocidade e trabalho voluntário
A sociedade surge, segundo Lévi-Strauss através da aliança instituída pelo Tabu do Incesto, obrigando a exogamia (casar fora da família). Por isso a dádiva constitui a base de qualquer sociabilidade –dar/receber/retribuir- pode tomar formas negativas (círculos de vingança pessoal), ou positivos (solidariedade). Para que a caridade não seja humilhante, deve-se proporcionar ao assistido oportunidade de retribuir socialmente aquilo que lhe foi dado.

Meu destino é ser medíocre

Você é daquele tipo de pessoa que nas ocasiões fundamentais para a definição de um momento ou de sua trajetória faz ou diz sempre a última coisa aceitável ao contexto?
Você é do tipo que sabe o que quer da porta da sua casa pra dentro?
E de repente, vamos ver no que vai dar?
Você tem uma espécie de monstrinho interior que não te deixa parar na mesma coisa por mais de 2 minutos?
Seu pai já te disse que você não é nada e você concordou?
Você é daqueles que sempre acha que tudo vai dar certo e que se você não é boa (om) hoje, será um dia?

Se a resposta é sim para todas as questões, CUIDADO. Seu destino é ser medíocre. Porque estes são sintomas do evidentemente imprestável. O evidentemente imprestável é aquele que vive se enganando por uma fé incondicional e exatamente inabalável não em si mesmo, mas na própria capacidade humana.
E é evidentemente imprestável o resultado esperado mediante diversos testes estatísticos de ensaio e erro: minha vida é uma comédia de erros propositais e acertos acidentais. Eis o meu achado de hoje. Mas o prêmio, ah! Essa a melhor parte em coroação do orgulho: o mamão. Abandonado e em fuga desde quarta-feira quando pensei pela primeira vez em comê-lo.
Meu pai disse: “Você não é nada minha filha, você – não – é – ninguém”. Cinco anos depois... Saio do XII Congresso brasileiro de Sociologia, feliz e contente da vida. “Nossa, quanta coisa aprendi, esse negócio de grupo focal dá muito trabalho mas o que eu vi até agora já ajuda bastante. Vou mandar um e-mail pra Paula pedindo o material. Pôxa, que pena que eu não achei o livro...” Mentira, não é nada disso que eu tava pensando. Contudo enfim, chego no ponto de ônibus e vejo dois colegas de curso. Quis logo me aproximar para estabelecer conversa amistosa. Achei inadequado, pois não tenho muito contato com eles. No entanto, o rapaz me viu, me cumprimentou, aí aproveitei para chegar. “Deixa eu contar a má-nota que eu dei na apresentação do cartaz... O avaliador me perguntou o que eu esperava deste trabalho para o futuro e eu respondi: ‘Eu espero acabar!’. E olha eu tava indo tão bem, na última pergunta eu dou uma dessas.” Então este mesmo rapaz diz: “O seu não ganhou não.” eu respondi “Com certeza que não!” “Ganhou o da Luciana né?” Virando para a moça, “É o da Luciana ganhou para publicação, o da Kelly ganhou terceiro lugar”. “O da Luciana Colega?”, perguntei, “É, o da Luciana”.
Eu nem fui na premiação. Aliás, só fiquei sabendo dela um dia depois após ter colocado o cartaz para exposição e já estava com o avaliador quase ali. Eu já sabia que não ia ganhar nada, eu já sabia que não merecia ganhar nada. Com tantos trabalhos sensacionais quem é que ia ser louco de achar importante uma “coisa” que ta lá mas só eu e às vezes nem eu entendo?! Simplesmente a verdade jogada em rosto dói mais que a verdade sabida. Porque o fracasso é público. Muito parecida com a história da fã que se destaca da multidão e dá com a cara do seu ídolo. Não é em foto, é ao vivo. Assim é o prêmio. Luzes, câmeras e ação que já foi feita estampada num objeto qualquer o tal do mérito. Ganha quem tem talento. Ué, nem sempre. Não importa, o mérito pertence a quem uma parte da sociedade elege naquele momento e outra legitima. O resto é inveja, papo de perdedor despeitado.

Tem aquela tendência de intuição lógica máxima e objetividade zero? Uma que por acaso te faz quanto mais pensar mais avacalhar ou acertar de primeira sem conseguir dizer mais nada? Pois bem, vamos ao óbvio. Isso é absolutamente normal e evidentemente imprestável.
Você quer ser alguma coisa (BOA)? Pois é, eu tamém.
Eu não sirvo pra isso. Isso depois de cinco anos, igual àquela mulher da novela. Oito anos achando que ia se casar com um homem. Oito anos que ela gastou com um homem que gastou oito anos enrolando-a. A temática não é idêntica, porém o escopo... Eu não sirvo pra isso. Repito. Repito muito mais e diante do espelho: “Continuo me enganando”.

Meus amigos, minhas amigas, declaro-vos: Meu destino é ser medíocre. E salve a obscuridade!

Agora vou comer o mamão abandonado, em fuga e premiado.

Fernanda Ninguém Qualquer
03/06/05

A Porta do Inferno dá intervalo para o Inverno


E ao ler Capitães da Areia vem aquela parte em que emerge, tal qual flor delicada, o amor juvenil de Dora e Pedro Bala. E lembro dos meus 13 anos. Aquela mesma sensação boa o coração disparando ao olhar para um rapaz, sem saber direito o que estava acontecendo. Tenho um amor de menina sonhadora que não cresce e não vai crescer nunca, nem que eu viva cem anos. E a menina está lá presa, o risco das unhas na parede, o sangue pintando o chão. No fundo de um calabouço onde jaz unicamente ela e seu grito nas galerias. Um calabouço frio, sombrio e pantanoso. Sequer uma janela pra ver a lua, ou a esperança.

Seus trajes são farrapos da luta pela liberdade e de tanto querer sair, agora senta-se conformada, num canto escuro. Às vezes vinha uma vela, uma claridade que ela sentia, caminharia para ela e tiraria do cativeiro o pássaro sem asas, desamarrando as correntes do seu bem-querer. E partindo ela esperneava, batia o caneco de esmola pra que não fosse. E apareciam também umas tochas primitivas ao lado, uns avisos que ela não costumava ler.

Quando o olhar cansou da mesma direção começou a vê-las, admira-las, mas não conseguiu ir até elas, tomada pelo desânimo de não saber o que fazer. Onde o combustível daquelas tochas?

Tomada pela ira dos últimos instantes lutou mais um pouco, porém, desesperadamente e com a força dos desesperados. E roupa que era branca, sujou-se. E as pernas que eram frágeis, rasgaram-se. Os pés eram quase totalmente espinhos, no entanto, não doíam mais.

E as velas não apareciam e as tochas desapareceram. No fundo do calabouço sem janela para a lua ou a esperança, onde nem mesmo o eco passa mais pra fazer uma visita, está o amor de menina sonhadora que não vai crescer e também, nunca morrerá. Sentada cansada num canto escuro do calabouço frio, sombrio e pantanoso.

Fernanda Ninguém Qualquer

18/12/2005

ASSIM VENCERÁS

Não desanimes.

Persiste mais um tanto.

Não cultive pessimismo.

Centralize-te no bem a fazer.

Esquece as sugestões do medo destrutivo.

Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.

Avança ainda que seja por entre lágrimas.

Trabalha constantemente.

Edifica sempre.

Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração. Não te impressione a dificuldade.

Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia. Não desista da paciência.

Não creias em realização sem esforço.

Silêncio para a injúria.

Olvido para o mal.

Perdão às ofensas.

Recorda que os agressores são doentes.

Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.

Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.

Se te enganaste em algum trecho do caminho

Reajusta a própria visão e procura o rumo certo.

Não contes vantagens, nem fracassos.

Estuda buscando aprender.

Não te voltes contra ninguém.

Não dramatize provocações ou problemas.

Conserva o hábito da ORAÇÃO para que se te faça LUZ na vida intima. Resguarda-te em Deus, persevera no trabalho que Deus te confiou. Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar. Age auxiliando.

Serve sem apego.

E assim vencerás.


EMMANUEL

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 19 de agosto de 2008

LEMA

HIPOCRISIA, EU QUERO UMA PRA VIVER. AFINAL, PRA QUE SERVE A IDEOLOGIA ALÉM DE MAIS UM RÓTULO À VENDA?

Polêmicas...

Aborto, sim.

Ou o direito de nascer sem pai numa sociedade hipócrita.

Eutanásia, sim.

Ou o direito de sofrer até que o último fio de vida se apague ocupando o leito de alguém com chance de viver.

Pena de morte, não.

Um psicopata vivo é uma fortuna,

morto é uma pechincha.

Vida após a morte, sim.

Amanhã penso nela.

Afinal, nem tudo na civilização é lixo.