segunda-feira, 9 de julho de 2007

Texto 3, Cidadania

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO:

1) Como você acha que pode ser mudada / melhorada a situação dos excluídos?

2) A sociedade, ou seja, nós, somos responsáveis pelas desigualdades sociais existentes no país?

3) A transformação moral dos indivíduos é suficiente para promover a transformação da sociedade? Em que sentido? (Ver p.110, Drogas e cidadania)

Cidade-dania

Weber na seção 7 de seu livro Economia e sociedade, fala da gênese das cidades européias desde a Idade Média, demonstrando porque diferenciava-se de tal forma das cidades antigas e de outras partes do mundo. O período medieval nunca foi constituído pelo total isolamento dos feudos, cujas linhagens nobres formavam frágeis reinados, baseados na superioridade militar de um brasão sobre os demais. As cidades nascentes de então, foram compostas gradativamente por camponeses e artesãos (vassalos dissidentes), mercadores e pequena nobreza, dentre os quais muitos eram cavaleiros sem senhor. Essa composição heterogênea reunida em diversos povoamentos chamados burgos. Os burgos localizavam-se em terras senhoriais e eram obrigados ao pagamento de pesados impostos. Delineava-se então uma causa comum: libertar-se do feudo. E a liberdade, a independência deste modo esteve presente, como germe de um sistema legal igualitário regulando a vida dos CIDADÃOS. Em geral, nenhum deles estava em posição de superioridade ou inferioridade social extrema, mas isso não se deu da noite para o dia.

O marco histórico de origem da cidadania pode ser determinado pelo processamento intelectual de suas bases teóricas, o que ocorreu na Inglaterra do séc.XVII, país pioneiro na Revolução burguesa e na separação entre igreja e estado (laicização). São eles importantes representantes (ingleses) do jusnaturalismo: Hobbes e Locke. Ambos colocavam a sociedade civil como originada da passagem do estado de natureza para estado civil através do contrato social. Em contraste com Hobbes, Locke não entendia o estado de natureza como desordem ou guerra de todos contra todos, considerando a existência dos indivíduos como anterior ao surgimento do Estado. Daí sua concepção individualista, na raiz da teoria liberal. Para ele os direitos à vida, à liberdade e à propriedade são naturais porque em seu estado de natureza o homem já os possuía. Para Locke o contrato pode e deve ser rompido, quando o governo não cumpre suas prerrogativas perante os cidadãos. Rosseau afirma que a passagem às liberdades civis foi a passagem à servidão, colocando na propriedade a origem da desigualdade –mas o que difere a liberdade civil da liberdade natural é “obedecer a lei que se prescreve a si mesmo” (Nascimento, 196).

A laicização é a perda e o impedimento do domínio da religião sobre o estado e do estado sobre a religião. A secularização é a perda da hegemonia religiosa na explicação dos fenômenos sociais e naturais e nas instituições sociais, como escolas e hospitais. Dizemos isto porque Zaluar, ao discutir sobre duas concepções de mal, o mal encantado da tradição judaico-cristã e muçulmana (mal e bem absolutos) e o mal secular (bem e mal relativos, misturados nas mesmas entidades ou pessoas), afirma que foi possível o surgimento do mal secular através da ambigüidade do dinheiro no mercado capitalista, origem de todo mal, ou origem de todo bem. Porém, mais que isso, o mal secular se consolidou pelas limitações institucionais e morais (na sociedade) além do fortalecimento do igualitarismo imposto às forças destrutivas do mercado, estendendo a igualdade perante a lei e “a efetiva extensão de direitos a cada vez mais setores da população” (Zaluar, 1999: 105).

O cidadão é um sujeito que possui direitos e deveres, liberdades individuais ou negativas e liberdades democráticas ou positivas. As polêmicas sobre a legalização do aborto, casamento homossexual e a criminalização do consumo de drogas ilícitas, são exemplos que comprovam não haver clareza dos limites entre esfera pública e privada (até onde o Estado pode e deve intervir) bem como até que ponto condutas individuais prejudicam e ameaçam direitos sociais, inclusive à segurança – isso no que diz respeito às liberdades negativas ou direitos civis (os primeiros a ser historicamente conquistados) dados a qualquer pessoa adulta, de ambos os sexos que variam de país a país mas são basicamente: liberdade de ir e vir, liberdade de culto, liberdade de expressão, direito de propriedade e de preferência sexual (da década de 60 para cá). As liberdades democráticas ou positivas relacionam-se a definição de democracia: governo do povo. Assim, define-se pela participação em decisões coletivas, que dizem respeito ao participante e a todos os demais integrantes da sociedade à qual pertence determinado Estado. A participação não se restringe ao voto e a formação de maiorias, nem as decisões passam somente pelo sim e pelo não a certas propostas –este é outro ponto problemático para o nosso Brasil, cuja herança autoritária, de concessão de privilégios e apropriação privada de bens públicos ainda é forte. Então passamos a tratar de direitos políticos, de vocalizar preferências e reivindicações nas instituições políticas especializadas (elegibilidade, poder de agenda, organização partidária, controle dos governantes pelos governados, informação). E, finalmente, chegamos aos direitos sociais, destinados a garantir condições indispensáveis à sobrevivência e ao desenvolvimento das potencialidades humanas que são trabalho, educação, saúde e moradia.

A questão da cidadania transita por discussões que relativizam os pressupostos de igualdade da democracia e buscam conciliar direitos abstratos e universais (da concepção da condição humana) e direitos específicos e concretos de grupos sociais como a negritude e os indígenas. O Estado moderno e seus fundamentos liberais foram conduzidos ao longo da história a situação de um Estado paternalista e providencial, responsável pelo cuidado da sociedade e também por todos os seus conflitos e mazelas, constituindo uma cidadania passiva, meramente receptora e de concessão das ações (muitas através do silêncio) estatais. Zaluar em seu artigo Exclusão e políticas públicas contrapõe-se a essa noção com a de cidadania ativa –em que o estado dá, o cidadão recebe e retribui a sociedade, num ciclo de reciprocidade.

É importante retomar que, em verdade, muitos brasileiros estão destituídos ou jamais tiveram direitos civis, políticos ou democráticos. É o que acontece com a maior parte de nossa população pobre, a que mais sofre com a inflação do poder policial, o poder paralelo e a violência.

Fernanda Flávia

Observação: este texto foi escrito para discussão no "Seminário Acolher e Semear, levando o Evangelho a crianças de periferia", realizado no dia 2 de maio de 2004 no Grupo Fraterno Irmão Eustáquio. Rua Turfa, 59, Prado. BH-MG.

Uma questão de significado...

A ONU resolveu fazer uma pesquisa mundial. A pergunta era:

“Por favor, diga honestamente qual a sua opinião sobre a escassez de alimento no resto do mundo.”

O resultado foi desastroso. Um total fracasso.

· Os europeus não entenderam o que é “escassez”;

· Os africanos não sabiam o que é “alimento”;

· Os argentinos não sabiam o significado de “ por favor”;

· Os norte americanos perguntaram o significado de “ resto do mundo”;

· Os cubanos estranharam e pediram maiores informações sobre "opinião”;

· E o congresso brasileiro ainda está debatendo o que é “honestamente”.

Autor desconhecido

Número 1 Sociologando

Voluntário e ideologia

A primeira noção que a experiência me chama a discutir aqui é a de trabalho voluntário. A ela darei as dimensões da experiência pessoal, partindo de uma definição básica: trabalho feito sem remuneração.

O problema fundamental é que sem remuneração não significa sem responsabilidade. E o fundo desse desvio é talvez a falta de um ideal compatível ou de crença naquilo que fazemos. Ou então a idéia de que não é preciso esforçar-se. Haverá sempre quem faça isso no meu lugar. De modo que faço o trabalho por mim, não pelos outros, posso fazer a hora que “puder”. Muitas vezes chamamos de posso simplesmente o momento em que queremos. Velha frase: a vida é feita de prioridades. Ser voluntário pode ser um apêndice mas que ao aceitá-lo estejamos realmente dispostos a ele. Quem faz as coisas pela metade acaba sendo uma metade humana...

Convenhamos, nenhuma causa vai para frente desse jeito. Ideologia não é fazer algo para mostrar aos outros que somos bonzinhos. Ideologia é ter convicção de que podemos mudar para um pouquinho melhor o mundo com aquilo que fazemos, dentro do que acreditamos ser realmente bom para este mundo. Como adotar um ideal ao abraçar uma tarefa se nem sabemos qual é? Seria preciso antes estabelecer qual é a importância e o propósito de uma organização e fazer com que todos os envolvidos ou dispostos ao envolvimento estejam cientes desse propósito.

“À vida não basta ser vivida, para ser intensa, tem que ser sonhada”. Já disse Mário Quintana.

Em sociologia vivemos discutindo a ideologia. Como um PROBLEMA. O envolvimento é colocado por muito como um grande fantasma das ciências humanas. Contudo ele é necessário e inevitável em alguns momentos do trabalho. Na escolha de um tema e de um objeto de pesquisa por exemplo. Nas perguntas que fazemos através das teorias, há muito de nossa vivência pessoal. No momento de “ir à campo” ou melhor, de verificar se as coisas são como pensamos (hipóteses) precisamos estar atentos para registrar o máximos de detalhes. Abertos e humildes diante do fato de que podemos estar enganados. No fim, estar enganado em maior o menor grau ou ver que o fenômeno é mais complexo do que esperávamos é mais prazeroso do que a arrogante frase: “Viu, não disse?” Pelo menos no conceito que possuo de cientista é este o lugar da descoberta. Não adianta dizer para a verdade “eu já sabia”, ela existe independente de você.

Ao contrário do campo acadêmico a ideologia na religião é a princípio boa. Porém, assim como na ciência chegam sempre os momentos em que nossa ideologia será testada em suas compatibilidades com o meio social. Como o socialismo real. De vez em quando após percorrermos um caminho em determinado tempo “reajustar a visão e procurar o rumo certo”. Avaliar, questionar o ideal. Ele é a base mas não precisa ser o mesmo para sempre. As coisas mudam.

Assim como na ciência e no caráter científico do espiritismo o distanciamento é um instância reguladora de nossas ações. Na qual a imparcialidade é o instrumento para responder a seguinte pergunta: onde estamos indo? Afinal, onde queremos chegar com isso tudo? Não podemos nos esquecer da base, são as peças fundamentais do jogo. De seu movimento, depende o progresso.

Fernanda Flávia

19/10/2003

Rap JC

Quando criança ele era um anjo

Pintando o sete em Nazaré!

Quando jovem inspirava confiança

Quando adulto completou 33

E abrir o jogo resolveu

Juntou uma turma da pesada

Cujos nomes, vamos falar agora

Pedro e André, Tiago e João, Bartolomeu e Filipe, Tome e Mateus, Tiago e Tadeu,

Simao e Judas.

Depois essa galera se espalhou

Para anunciar a lei de amor

Belo dia Jesus os convidou

Para tomar um lanche em sua taba

O pão era pouco, então dividiram

O vinho era muito, mas ninguém ficou tonto

Jesus nesse momento, o futuro contou

Judas tinha grande senso de justiça,

Mas não conhecia Jesus pra valer

Pedro na hora H amarelou

E o povo judeu, Jesus crucificou

Pera aí mano, Pilatos era romano

Foi ele quem, lavou as mãos

Deixemos de lado esta discussão

Voltemos ao dia do nascimento:

____________________________________

A estrela guia levou os reis magos

O caminho era deserto

Não havia outro lugar

As vaquinhas rodeavam o Mestre e Maria deu a luz

São José O recebeu

No dia que Jesus nasceu

Fernanda Flávia

Livre-se Lave-se

A maledicência processa em sociedade a dor sobre a qual somos cegos em nós mesmos e o silêncio estupefato diante da dor que o outro nos joga em rosto; é a dor contra a qual somos impotentes. O excesso de ação que há em uma é a falta de reação que existe na outra (ou então aquelas reações débeis, comuns). Da primeira nos livramos, da segunda nos lavamos, mas se a primeira é suja, não podemos passar sem a necessidade do lavatório da segunda. E se a segunda não nos diz respeito, não podemos passar sem a sujeira da primeira, não sentindo nada.

A cada cidadão que lê este testemunho, livre-se lave-se.

Suporte a dor de ser mal falado, falando, suporte a dor de não sentir nada por alguém, sofrendo. Refestele-se no seu ser humano e apesar desta ordem inútil pense que o seu livramento não custa mais que uma lavagem e que, enquanto você se lava, outro se livra.

Fernanda Flávia

01/10/2006

Writing doll


To Corinne D. Rodrigues

Behind the car and the Box for coins,

a doll was born.

She didn’t have a name,

today she doesn’t have a theme.

She was a queen behind glass,

today any doll among others.

She felt alone,

she felt had done something wrong.

She kept love in her heart,

then ask her owner to set her free.

Her owner was God

too little

is five.

Once upon a time

a little girl,

that traveled a lot.

She’s from U.S.A,

She went to Brazil.

She’s from samba,

she left rock’n roll.

It dances too badly,

but it spread charming everywhere.

She hasn’t been queen.

Her owner plays without moving.

Her owner can’t move.

But she’s too glad.

God isn’t sick or sad.

The writing doll,

has been a book.

Fernanda Flávia

Poema de homenagem

Dedico esta poesia ao aniversário de 55 anos da Mocidade Espírita Maria João de Deus

Mania de espírita

Colocamos nas regras

a responsabilidade das nossas decisões.

Assim nos escondemos,

fugindo aos testes de sabedoria.

Esquecemos.

Que as regras foram feitas para e pelo homem,

não o homem para as regras.

Vestimos a máscara de defensores da moral e dos bons costumes,

para através da doutrina,

condenar o outro.

Ah! Que coisa feia, que papelão...

Negamos a política e os políticos.

Confortavelmente damos vazão

às nossas politicagens.

Cargos, status

Oh! Fulano de tal, é o TAL.

Guerras sutis de vaidades.

Encontro, que coisa boa!

Nada a reclamar dos MOMENTOS de fraternidade.

Idéias são sempre idéias

Quando novas,

quão bizarras.

Quase sempre não não não.

E negamo-nos ao risco,

de avançarmos no bem.

Origens duvidosas.

Novatos,

aparentes anormais.

Inválidos até que provem o contrário.

Kardec última palavra.

Em todos os assuntos,

definitivo.

Pretexto de fidelidade.

Realmente, pensar dá muito trabalho.

Buscar novas relações,

No horizonte infinito.

- A evolução é prêmio de quem evolui.

- Muito bem. Sou mais evoluído que você.

Etnocentrismo alado.

Porque, ora, espírita voa.

Imagina, ainda tem gente que compra terreno no céu!

Adoro tarefas,

Quando eu desencarnar...

Presta atenção no que fazes das palavras.

Elas são morte e vida de um poeta.

Eleição dos iletrados.

Passagem dos sábios.

Salvação dos que têm olhos de ver.

Espírita

Mania de espírita,

não é mal sem solução.

E para que esteja,

sem qualquer santidade,

e evitar, o vício-criticismo:

A pimenta também arde nos meus olhos.

E para que não esteja,

em completo pessimismo,

Companheiros, aí vai uma sugestão:

Amar pelo amor.

Simples não é?

Jean Bizzy

22/09/2003

Ressaca de um coração partido

Mau humor

pequenezas cortantes, mas inúteis

para despertar

Nenhuma beleza

tradicionalmente poética

nem relances cósmicos

nem jiló à mesa

Pátria desolada e ridícula

de conformidade insana

puft!

Ora... Puramente normal,

de tão ordinária

Quem, eu?

Calisto desenterrado

casulo desenfreado não

Uma temível

horrível sensação

DE NADA

De romantismo extinto

de paixão explícita

e de pó de estrada

Só isso e,

mais algumas migalhas,

Insosso, insípido, inodoro

Uma dor atrás da moita,

que encolhe com o tempo.

Jean Bizzy